Guerra
Biografia / 6 de Setembro de 2013

Durante quinze meses, Sebastian Junger acompanhou um pelotão de infantaria do Exército dos Estados Unidos baseado no Vale do Korengal, uma remota área do leste do Afeganistão. A intenção era ao mesmo tempo simples e ambiciosa: transmitir a experiência dos que lutam em um campo de batalha, contar como se sente quem participa de uma guerra. Acompanhado do jornalista fotográfico Tim Hetherington – morto em abril num ataque de morteiro realizado pelas tropas de Muamar Kadafi, na Líbia –, Sebastian reuniu, entre 2007 e 2008, o material que deu origem ao documentário Restrepo, e ao livro Guerra. Mas apesar do conteúdo biográfico da obra, o texto é mais corrido do que se esperada para um livro do gênero. Sebastian recria diálogos a partir dos vídeos e de entrevistas realizadas, dando fluência ao texto. As cenas são recriadas, e não simplesmente contadas. O que nos faz sentir mais próximos dos acontecimentos. O grande diferencial de Guerra não reside no fato de o livro falar sobre guerra, mas sim por retratar os efeitos da guerra nos soldados, os motivos que levam jovens a se voluntariar, e – principalmente – os motivos que os fazem querer voltar. Junger recorre à biologia, à psicologia e à…

Adeus, China
Biografia / 18 de Julho de 2012

Longa vida ao chefe Mao! Longa, longa vida! Durante a Revolução Cultural Chinesa, a frase acima foi estampada, entre outros, em posteres, fábricas, universidades e escolas. Numa dessas escolas – em Qingdao – estudava um jovem chamado Li Cunxin (para ajudar – ou não -, pronuncia-se “Lee Schwin Sing”). Li Cunxin nasceu em 1961 numa área rural perto da cidade de Qingdao. Filho de camponeses, viveu uma infância de extrema pobreza durante os anos da Revolução Cultural, mas teve a vida virada de cabeça para baixo quando, aos 11 anos de idade, foi escolhido para ingressar na Academia de Dança de Pequim. São os detalhes da trajetória de Li que conhecemos em Adeus, China – O Último Bailarino de Mao (em Portugal O Último Bailarino de Mao). Não tenho a menor hesitação em dizer que Adeus, China foi um dos melhores livros que tive oportunidade de ler. É uma biografia belíssima, escrita de forma leve cativante, praticamente romanceada. Agrada até quem não gosta de biografias, não tenho dúvidas. Mas é, acima de tudo, uma lição de vida das mais cruéis. “Mundo cruel” eu pensei, “em que crianças competiam com ratos por comida.” A pobreza da China rural dos anos 70…

As Garotas da Fábrica
Biografia / 15 de Setembro de 2010

A República Popular da China é o terceiro maior país do mundo em área; tem 1,3 bilhão de habitantes (20% da população mundial); e se tornou uma das economias que mais cresce no mundo, estando entre as dez maiores. O país tem taxas de crescimento de cerca de 9% ao ano e se tornou um gigante do comércio, conquistando o quinto lugar em exportações.* Com números tão expressivos e com os holofotes voltados para o país, era de se esperar que começássemos a criar certa curiosidade em relação ao gigante asiático. Pelo menos comigo foi assim, e posso dizer que tive duas experiências literárias fantásticas em relação à China. A primeira foi com o livro Adeus, China, do bailarino chinês Li Cunxin, e a segunda com As Garotas da Fábrica, da jornalista norte-americana Leslie T. Chang. Impossível não correlacionar esses dois livros, são complementares. É extremamente interessante notar as diferenças do olhar chinês e do olhar americano. Mas deixemos o primeiro para um próximo momento. Na resenha de hoje falarei d’As Garotas da Fábrica, já que quero reler Adeus, China antes de resenhá-lo. Comecemos pela autora: Leslie T. Chang é uma jornalista estadunidense filha de imigrantes chineses. Apesar de falar…