O Bom Jesus e o Infame Cristo
Romance / 23 de Fevereiro de 2011

Esta é a história de Jesus e de seu irmão Cristo, de como nasceram, de como viveram e de como um deles morreu. A morte do outro não entra na história. O Bom Jesus e o Infame Cristo é um livro que já nasceu para ser controverso. Até no título. A aversão religiosa de Philip Pullman é algo que todo mundo já deve conhecer. Ela está extremamente enraizada no seu trabalho mais conhecido no Brasil: a trilogia Fronteiras do Universo (Objetiva). O que Philip Pullman busca nesse novo livro é criar um cenário de contestação e separação dos personagens histórico e mítico de Jesus. Para isso, “divide” as personas em dois irmãos gêmeos: Jesus e Cristo. Jesus nasce saudável, enquanto Cristo é um bebê frágil e doente. Protegido pela mãe, Cristo é a imagem das boas maneiras e estudante precoce dos textos sagrados, enquanto Jesus é avesso às leis e apaixonado pelos prazeres mundanos. Como eu disse acima, Pullman cria esses dois personagens para tentar criar um cenário onde seja possível ver as diferenças entre Jesus histórico e o Jesus mítico. Cristo é o responsável na trama de alinhar os relatos sobre Jesus de forma a serem coerentes e edificarem…

No Buraco
Romance / 24 de Outubro de 2010

Hoje vou inverter a ordem natural das minhas resenhas. Falarei primeiro do autor, depois do livro. Ok?  Então, curta e grossamente, vamos ao que interessa: Tony Belloto – caso alguém não saiba – é guitarrista de uma das maiores bandas de rock nacional – os Titãs. Mas para aqueles que passaram muito tempo viajando na maionese, devo avisar que o gajo é também autor de outros seis livros, além do que resenho hoje. Há quinze anos, Tony Bellotto lançava seu primeiro romance, Bellini e a esfinge, o primeiro de três livros que teriam o detetive Bellini como personagem principal (Bellini e o demônio e Bellini e os espíritos). Escreveu também BR163: duas histórias na estrada, O livro do guitarrista e Os insones. Além dos livros, apresenta, há onze anos, o Afinando a Língua, no canal Futura, e é cronista no blog da revista Veja. Achei  interessante apresentar, antes da resenha, o currículo literário de Bellotto para que vocês não pensem que No buraco é apenas uma aventura literária de um guitarrista que não tinha o que fazer. Não, Tony Belloto já flerta com a literatura – como vocês podem ver – há um bom tempo. E não que os outros…

Pequena Abelha
Romance / 27 de Setembro de 2010

“Uma obra de arte: perturbadora, excitante e muito comovente.” – The Independent Disse tudo, a pessoa que escreveu estas palavras para o The Independent. E se eu tivesse que escolher apenas uma palavra, “perturbadora” seria ela. Pequena Abelha é daqueles livros que te levam a uma realidade que a gente custa a acreditar que possa ser real. Aquela sujeirinha que jogamos pra baixo do tapete para que tudo possa parecer bem. Realmente perturbadora a história da Pequena Abelha. O livro leva o nome de uma das principais personagens da trama, mas gosto muito mais do título original: The Other Hand. Apesar de todo o drama que é vivido nas 272 páginas desse excelente livro, The Other Hand exala um pouco da mensagem de esperança proposta ao final do livro. Sem contar que acredito que por mais superficiais que possam parecer os dramas de Sarah comparados ao de Pequena Abelha, as duas histórias tem a mesma importância para a construção da trama. Você também teve problemas, Sarah. Está enganada se pensa que isso não é comum. Vou lhe dizer: os problemas são como o oceano – cobrem dois terços do mundo. O livro tem como start um primeiro encontro entre as duas…

Caim e Abel
Romance / 28 de Junho de 2010

Não é sempre que paramos para pensar na infinidade de livros publicados – principalmente se olharmos para fora do Brasil, da outra infinidade de livros que queremos ler, e dos tantos outros que sabemos que nunca iremos ler, pois não teremos tempo para tudo. Então, vez ou outra, acabamos descobrindo “novos livros” nesse grande emaranhado de publicações. E como é bom quando acontece. Caim e Abel é um romance escrito em 1979 pelo britânico Jeffrey Archer, polêmico político, escritor e intitulado Barão Archer de Weston-super-Mare. Mas para mim, o que importa é a definição do Los Angeles Times: Um dos 10 maiores contadores de história do mundo. Relançado recentemente pela Sextante, comecei a ler este livro com certo receio. Indicaram-me enfaticamente e por isso acabei lendo-o, mas achando que lidaria com assuntos de cunho religioso. Ledo engano. Caim e Abel é, antes de tudo, uma grande lição de vida. Traz exemplos de perseverança, lealdade, amor e mostra como o ódio cego pode nos levar a cometer os piores erros. Além disso, o autor esmiuça as transformações políticas e econômicas, principalmente nos Estados Unidos, passando por guerras, resseções e períodos de estabilidade, e mostra como este se transformou na terra das oportunidades…

Eu Sou o Mensageiro
Romance / 7 de Abril de 2010

Venha conhecer Ed Kennedy. Dezenove anos. Um perdedor. Seu emprego: taxista. Sua filiação: um pai morto pela birita e uma mãe amarga, ranzinza. Sua companhia constante: um cachorro fedorento e um punhado de amigos fracassados. Sua missão: algo de muito importante, com o potencial de mudar algumas vidas. Por quê? Determinado por quem? Isso nem ele sabe. Depois de ficar extasiado com A Menina que Roubava Livros fiquei bastante curioso para ler Eu Sou o Mensageiro. Queria saber se era um acerto ocasional do autor ou se o cara é bom mesmo. Pois o cara é bom mesmo. Em Eu Sou o Mensageiro, escrito antes A Menina que Roubava Livros, Zusak já nos traz a sua escrita peculiar. Não tive problemas com o início de A Menina que Roubava Livros, que muita gente reclama de ser lento e/ou confuso. Mas em Eu Sou o Mensageiro‘confesso ter dado um empurrão para continuar a leitura. Mas depois que você entra no ritmo, não para mais. É contagiante. Acho que essa dificuldade nos inícios desses livros de Zusak se dá por causa da sua escrita. Ele escreve para o leitor. Melhor, ele fala com o leitor. Ed Kennedy, o mensageiro, não apenas conta…